HEITOR DOS PRAZERES
PROJETO RAIZ E FRUTOS

APRESENTAÇÃO:
GALERIA DE FOTOS

Heitor dos Prazeres pode ser considerado um dos mais versáteis artistas brasileiros, o que se evidencia nas suas incursões desde a música, artesanato, confecção de móveis e instrumentos de percussão; estilista na criação dos seus figurinos pessoais e dos seus shows, criando cenários e coreografias, consagrando-se internacionalmente como pintor de quadros.

JUSTIFICATIVA:
Num Rio de Janeiro tranqüilo de um dia qualquer de 1908, um menino sai de casa cedo com uma caixa de engraxate, um tirante de couro que a sustenta enviesado do ombro à cintura. Seria uma cena comum se esse menino não tivesse à outra mão um cavaquinho. Heitor dos Prazeres tinha sempre mais de uma ferramenta nas mãos: o formão e a poesia; o dedal, agulha e o violão; os pincéis e a melodia. Era perto a abolição, sua mãe dizia: “negro tem que mostrar capacidade...andar na linha”. Heitor engraxou, esculpiu, costurou, vendeu jornais, desenhou, compôs, cantou, tocou, pintou e bordou!
Depois vem a biografia: o marceneiro, costureiro; o tipógrafo, o músico que criou na época um método de tocar cavaquinho inovador; o poeta e compositor, e por fim o artista plástico. Sobre esse diria o jornalista e crítico Carlos Cavalcante: “Em meio a artistas profissionais do pincel, não faltou quem lhe quisesse dar conselhos. Mas por um sentimento forte preferiu ficar no seu canto, pintando como as coisas lhe vinham à cabeça. Escapou desse modo ao perigo comum aos ingênuos, o de ficar sabido, aprendendo certos truques, amaneirar-se, perdendo os valores expressivos”.
Por iniciativa do seu amigo e admirador Augusto Rodrigues sua tela “Festa de São João” foi enviada a Londres para participar da exposição coletiva de artistas em benefício da RAF, tendo sido a obra adquirida pela então princesa Elizabeth. Hoje seu nome figura no boletim de divulgação do MOMA, New York ao lado de Portinari, Guignard, Matisse, Picasso, Renoir, VanGogh, Orosco dentre outras celebridades.
Jacques Ardies, co-autor, ao lado de Geraldo Edson de Andrade, do livro Arte Naïf no Brasil, nos esclarece: “No Brasil, o movimento cresceu a partir de 1937 com Heitor dos Prazeres, Cardosinho e Sílvia. A arte naïf brasileira, portanto, não toma emprestada a inspiração da vanguarda parisiense, mas reflete uma realidade nacional. Sem mimetismo, extremamente rica e variada, é autêntica e, na maioria das vezes, otimista e alegre. Ela reflete o país tropical, generoso em sua vegetação, aberto em sua gente. Não existe país que melhor sirva a este estilo. Hoje, pela diversidade entre as regiões e os povos que a compõem, a arte brasileira tem seu lugar de destaque no cenário mundial".
Por tantos motivos é que propomos a realização do projeto “Heitor dos Prazeres – Raiz e Frutos” com exposição de obras de Heitor dos Prazeres e Heitor dos Prazeres Filho; a reedição bilíngüe do livro : “Heitor dos Prazeres sua Arte e seu Tempo” e show de Heitorzinho com a terceira geração dos Prazeres, Flávio Prazeres (sax), e Duda Prazeres (percussão), cantando obras suas e do Mestre. Levando a outros centros a arte genuinamente brasileira.

A HEITOR DOS PRAZERES ARTISTA
QUERIDO HEITOR DOS PRAZERES.
QUE ESTÁS NA ESFERA CELESTE:
É HORA DE AGRADECER-TE
OS PRAZERES QUE NOS DESTE.

POR TUA PINTURA E MÚSICA
PASSA UM FLUIDO DE POESIA.
POESIA DAS COISAS SIMPLES.
UNIDAS EM MELODIA.

O PIERROT APAIXONADO
E A SAMBISTA DA MANGUEIRA.
SAUDOSOS, AQUI AO LADO.
CELEBRAM-TE A NOITE INTEIRA.

NOITES DE FESTA NO RIO.
NOITE DE DANÇAS E CORES.
EM QUE TEUS PINCÉIS E NOTAS
EMBALAM NOSSOS AMORES.
QUERIDO HEITOR DOS PRAZERES

AS INJUSTIÇAS SOFRIDAS
HOJE SE APAGAM. RELUZ
A TUA ARTE EM NOSSAS VIDAS.

Carlos Drummond de Andrade

“A auto - suficiência cultural é absoluta neste primitivo. Não conheço concessão em sua obra. Nenhum crítico teria até hoje alterado a sua expressividade, nenhum outro pintor tê-la-ia modificado em seus hábitos, insuficiência, êrros e desconhecimentos. Diversos outros artista, entre ingênuos e primitivistas, se fundamentam na mesma cena, no mesmo território folclórico, e raros são os que atingem o teor reconhecível de um nível estético. Todas as criaturas e todas as coisas são, na pintura de Heitor dos Prazeres, símbolo de uma só mensagem: o anseio da integração racial numa sociedade ideal.

Clarival do Prado Valadares

EXPOSIÇÃO
Objetivo: Dar conhecimento às novas gerações da importância da obra pictórica e musical de Heitor dos Prazeres, que em suas telas retratou a cultura do povo afro brasileiro que muito contribuiu para a identidade cultural do Brasil, bem como, influenciando vários outros artistas do mundo das artes e do samba no Brasil. Tendo como um dos seus principais discípulos e herdeiro do seu nome e de sua arte, Heitorzinho dos Prazeres, através da exposição “RAIZ E FRUTOS” de trabalhos dos dois artistas.

Especificação Profissional Valor
1 - Curadoria Prazeres Filho R$ 3000,00
2 – elab proj adm montg Walter Pinto R$ 2500,00
2 – produção/contatos Daniel Acheidjian
2 – Hosp e ajuda de custo Em negociação
3 - Restauração Em neg.
4 – seguro das obras (transp) A contratar
5 – seguro permanência A contr.
6 – divulgação/cartazes Em neg.
7 – impressos/convites Em neg.
8 - Vernissage A contr.

SHOW
Especificação Profissional Valor
Direção Geral Prazeres Filho R$ 2500,00
Contratação de músicos 3 mus. a R$ 1000,00 p/show R$ 3000,00
Criação e confec cen/fig Vidal/Prazeres Filho R$ 4500,00
Hosp e ajuda de custo Em neg.
Som / iluminação A contr..
Edit de prog Em neg.
Divulgação/cartazes Em neg.

Heitorzinho dos Prazeres seguiu os passos do pai, surpreendendo com o mesmo talento musical, como mostra em seu último CD ”QUEM SOMOS NÓS”, onde encontramos belas interpretações e arranjos de suas músicas com ilustres parceiros como Grande Otelo, entre outros importantes compositores. O artista herdou também em suas telas a desenvoltura nos traços e nas cores da dinastia. Eis que, como se o criador sentisse incompleta a tarefa, nascem Duda, Ricardo e Flávio Prazeres que justificam o ditado “Filho de Peixe”, e na música reeditam avô e pai. Por esse motivo apresentamos Raiz e Frutos, projeto que pretende homenagear Heitor dos Prazeres (raiz), através de exposição e show reunindo algumas obras do mestre e trabalhos recentes do filho Heitorzinho dos Prazeres (fruto), que fará o show “Do Chorinho ao Carnaval” onde apresentará músicas de sua autoria e mestres como Heitor dos Prazeres, Cartola, Pixinguinha, Paulo da Portela, Noel e outros, cantando e acompanhando-se ao piano, violão e percussão, com as participações da terceira geração dos Prazeres, seus filhos Duda Prazeres, percussão e voz, Ricardo Prazeres, percussão e voz, Flávio Prazeres, sax flauta e percussão.

“A pintura e a música sempre fizeram parte de minha vida, o meu choro era acompanhado por cavaquinho e violão, meu sorriso provocado pelas cócegas dos pincéis nas palmas de minhas mãos e nas solas dos meus pés”.

Heitorzinho dos Prazeres

“Tendo vivido num meio onde a música era a principal forma de expressão, já aos 8 anos de idade surpreendia com seu toque de tamborim, e quase todos os instrumentos de percussão. Com habilidade e swing já era passista e ritmista do conjunto “Heitor dos Prazeres e sua Gente”.
Sucesso alcançado, apresentam-se nos mais variados espaços do Rio de Janeiro, e Heitorzinho logo após passa a trabalhar como mensageiro nível especial na divisão musical da Rádio Nacional.
Sempre em contato com a nata dos artistas e músicos da casa, e incentivado pelo maestro Moacir Santos, Aída Gnatalli e Severino Filho, interessou-se pelos instrumentos harmônicos. A partir daí seguiu seu trabalho como músico em conjuntos de baile, casas noturnas e clubes pelo Brasil. Sempre fiel às origens, Heitorzinho dos Prazeres não é só “talento”: alia a isso a excepcional capacidade de improvisação, que são atributos fundamentais para um bom músico, compositor e cantor. Mas o que é o improviso? É um exercício de reconstrução da música, uma divagação pessoal onde o músico vai progredindo na invenção, no fraseado com o qual vai reinterpretando, e descobre um novo lugar: “o espaço musical infinito”, tornando-se a partir daí um ser privilegiado. Este é o mote... Esta é a certeza de afirmar que Heitorzinho é um “Artista de Linhagem”.
Sobre Heitorzinho dos Prazeres críticos e estudiosos de música popular brasileira como Ricardo Cravo Albim, Sérgio Cabral, Albino Pinheiro, Wagner Fernandes e outros, já exaltaram sua musicalidade; swing; inventividade e formação musical vasta. Numa de suas músicas, Heitor afirma: “tenho sangue de artista e cantar eu sei”, referência a seu pai, o Mestre Heitor dos Prazeres.
Heitorzinho dos Prazeres mostra toda a influencia da nossa música e do nosso ritmo, passeando em vários estilos como: canções, chorinhos, baiões, sambas e marchinhas carnavalescas. Tornando assim um show alegre, didático e divertido, como podemos sentir no seu último CD com músicas do mestre Heitor de parceria com Cartola; Herivelton Martins; Noel Rosa, entre outros; como também músicas de Heitorzinho em parcerias com Grande Otelo, Waldir da Fonseca, Fumaça, e outros”.

Walter Pinto

RAIZ E FRUTOS
REPERTÓRIO DO CHORINHO AO CARNAVAL
1 - CARIOCA BOÊMIO – (Heitor dos Prazeres)
2 - A COISA MELHOROU – (Heitor dos Prazeres)
3 – CHORA CHORINHO – (Heitorzinho dos Prazeres)
5 – CADENCIADO – (Heitor dos Prazeres)
6 – DOIS A DOIS - (Heitorzinho dos Prazeres – Waldir da Fonseca)
7 – SAMBA DE PANDEIRO – (Heitorzinho dos Prazeres)
8 - FELIZ ASSIM – (Heitorzinho dos Prazeres)
9 - VOLTO – (Heitorzinho dos Prazeres – Waldir da Fonseca)
10 - MAIS UM CURIOSO – (Heitorzinho dos Prazeres)
11 - GOSTO QUE ME ENROSCO – (Sinhô – Heitor dos Prazeres
12 - TRADIÇÃO DE VELHOS CARNAVAIS – Heitorzinho dos Prazeres - Fumaça
13 - LÁ EM MANGUEIRA – Heitor dos Prazeres – Herivelto Martins
14 - PIERRÔ APAIXONADO – Heitor dos Prazeres – Noel Rosa

FICHA TÉCNICA
PRODUÇÃO E DIREÇÃO

WALTER PINTO

VOZ E VIOLÃO
HEITORZINHO DOS PRAZERES

PERCURSSÃO E VOCAL
DUDA PRAZERES

SAX FLAUTA E VOCAL
FLAVIO PRAZERES

CENÁRIO E FIGURINOS
HEITOR DOS PRAZERES

Querem saber mais sobre Heitor?
Pois saibam que foi objeto de admirações ilustres, desde presidentes da república como Juscelino até intelectuais do porte de Carlos Drumond o poeta, inclusive lhe conseguiria um emprego no Ministério da Educação.
Conheci Heitor na antiga galeria Goeldi fundada pelo crítico Clarival Valadares que a ele me apresentou:”Este é o melhor pintor do Brasil, porque não estudou nada e sabe tudo”. Nem desconfiava meu mestre Clarival que eu já colecionava todos os discos do sambistas – não os quadros, é claro, que a esta altura já valiam fortunas. Estes discos eram os sambas gravados pelo conjunto “Heitor e sua Gente”, a mim indicado com entusiasmo, por Sergio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, que costumava chamar Heitor de “Prazeres duplos”, os da pintura e do samba.

Ricardo Cravo Albin